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Em vésperas de conclusão da 1ª volta do Girabola 2016, nada mais oportuno do que um balanço da prestação do Recreativo do Libolo, bem como das perspectivas para o que resta da época futebolística em Angola. Aqui fica uma grande entrevista concedida pelo director técnico do Recreativo do Libolo, Prof. Fernando Vieira, conduzida pelo conceituado jornalista Jorge Jorge.


JJ - Prof. Fernando Vieira, gostaríamos que fizesse um balanço daquilo que foi a 1ª volta do campeonato e perspectivasse aquilo que poderá ser o futuro do clube no Girabola ZAP 2016.

FV - Julgo que qualquer balanço que se possa fazer neste momento, tendo em conta aquilo que são os nossos objectivos e dado o nosso lugar na tabela classificativa, pode induzir sempre as pessoas a pensar que este ano tem sido uma época um pouco abaixo daquilo que é normal. Saliento no entanto o facto de, se ganharmos este último jogo, podermos igualar a pontuação que tivemos o ano passado. Mas não é isso que está em causa porque nós, à partida, criámos quer na direcção, quer nos jogadores e equipa técnica, expectativas elevadas e de tentar fazer sempre o nosso melhor. Tendo em conta esse aspecto, em alguns jogos, todos nós sentimos que poderíamos ter feito melhor, ter estado num melhor nível e com melhores prestações.

Ao invés de pensarmos que em alguns jogos temos estado um pouco abaixo daquilo que seria de esperar, nós pensamos que tudo isso é o campeonato, é o Girabola ZAP. E o Girabola ZAP tem tendência a ficar cada vez mais equilibrado naquilo que são as equipas e as prestações dos planteis, porque também a qualidade vai aumentando. Nesse sentido, nós reconhecemos que essa qualidade faz com que em muitos momentos as equipas que tinham o rótulo de favorito vão perdendo esse rótulo e vai sendo cada vez mais difícil, mesmo com as equipas de menos valia à partida, assegurar resultados muito positivos. Daí a explicação de que muitas vezes há equipas, qualquer daquelas que ocupam do 1º ao 16º lugar, que saem de vitórias e logo a seguir têm resultados menos expressivos ou mais negativos. E o contrário também é verdade, há equipas que de repente estão muito abaixo na tabela classificativa e conseguem prestações elevadas mesmo frente a equipas de muito mais valia.

Em relação àquilo que é a nossa prestação e sabendo que nós lutamos sempre em todas as provas em que nos envolvemos, julgamos que este equilíbrio no Girabola faz com que seja mais difícil muitas vezes querermos mais de cada jogo. É por isso que trabalhamos todos os dias, nos envolvemos a sério em tudo o que diz respeito à preparação da equipa, avaliamos jogo a jogo aquilo que é feito e tentamos adequar-nos a essas novas realidades.

Outro facto que nos faz pensar bastante, é que nos ciclos de 3 anos em que o Libolo tem sido campeão, o terceiro ano é sempre um ano difícil, quer por ajustes das equipas adversárias, quer pelo conhecimento que vão tendo da forma que o Libolo se coloca em campo, porque hoje em dia os meios para a avaliação dos jogos são totalmente diferentes. Os jogos são televisionados e são avaliados com mais rigor e as equipas apetrecham-se no sentido de terem também esse conhecimento. Lembro que em 2013 foi muito difícil para o Libolo e face a este ciclo de 3 anos que estamos a viver, depois de termos sido bicampeões, acontece da mesma forma. Ao contrário de 2013 nós ainda estamos muito dentro daquilo que são os nossos objectivos. Face a esse 3º ano sempre muito difícil no ciclo de vida do Libolo, julgo que nós conseguimos interpretar melhor que em 2013. Estamos dentro do campeonato, estamos para durar, vamo-nos adaptando às circunstâncias, àquilo que são os nossos jogos e julgo que essa avaliação diária das nossas prestações e dos nossos adversários, nos garante uma boa perspectiva de uma 2ª volta e de um pensamento positivo naquilo que são os nossos objectivos que são vencer o Girabola, a taça e todas as provas em que nos envolvemos.

E regressar às Afro-Taças no próximo ano?

Sim, julgo que é muito importante para o clube e para Angola. A experiência que vamos adquirindo ao longo dos anos faz com que não repitamos certo tipo de erros e faz-nos ganhar maturidade em relação a essas provas. De facto julgo que é muito importante o Libolo estar dentro das Afro-Taças. Para o ano com vantagem de ter outro figurino, muito mais vantajoso para as equipas que têm uma continuidade porque, como se sabe, com eliminatórias de 2 jogos muitas vezes a equipa ainda não se encontrou, ainda não se conhece. A entrada directa na fase de grupos, com uma maior acumulação de jogos e portanto num contexto competitivo um pouco mais alargado, permite-nos possivelmente uma prestação mais elevada.

Quanto às entradas e saídas para o 2º turno ou mesmo para o próximo ano, a direcção já está apensar nisso, já há nomes prováveis para entradas, sabe-se das suas proveniências? Fala-se também de algumas saídas. Será que já poderão sido evidenciadas, ou neste momento ainda não há nada em concreto?

Como sabem o Libolo tem o seu “scouting” que, quer em África quer na Europa, tem sempre um controle sobre jogadores não só estrangeiros como angolanos que jogam na Europa. Na medida que é possível e não só por condições financeiras, nós tentamos estar sempre perto desses jogadores que vão evoluindo, acompanhá-los e tentar que eles venham para o Libolo e assegurem maior qualidade. Em Angola acompanhamos também, com grande critério, os jogadores que jogam no Girabola e portanto está tudo dependente daquilo que nós achamos que são algumas falhas que encontraremos ou não, está sempre muito dependente daquilo da avaliação feita não só pela nossa equipa de “scouting”, mas também pela nossa equipa técnica que vai avaliando dia a dia aquilo que pode ser a melhoria da construção do nosso plantel. Há relatórios que determinam aquilo que são as intenções do clube e depois a equipa técnica decide se é preciso colmatar se não, se será agora em Junho ou no final da época. Essa avaliação é constante e portanto vamos estar atentos, como sempre, a possíveis contratações, mas neste momento não há nada que faça indicar grandes ou alguma mudança na equipa.

Quais são as prioridades então que o Libolo precisa de se reforçar nesse 2º turno. Será o sector defensivo, será o sector intermédio ou o sector atacante?

A questão do reforço nos sectores tem a ver também com as nossas possibilidades. Não andamos à procura especificamente de nenhum jogador, é normal que qualquer equipa de futebol pense sempre nos goleadores que são aqueles que dão maior brilho ao espectáculo, é sempre muito importante uma equipa ter goleadores, mas também é importante saber defender e ter um meio campo que acompanhe e consiga ajudar a defesa e fornecer munições de jogo para concretizarmos.

Até porque, diz o ditado, se os ataques ganham os jogos, as defesas ganham os campeonatos. É sempre bom defender bem e depois atacar melhor?

Julgo que vocês próprios, comunicação social, nas vossas análises são correctos naquilo que observam e portanto depende muito da oportunidade que tivermos, porque ninguém quer renegar um avançado de qualidade que possa marcar mais golos, um médio que possa criar desequilíbrios, defesas de qualidade. É portanto uma questão de oportunidade, não andamos à procura de ninguém em específico, procuramos enriquecer o plantel e ter mais valias, mais gente que possa ajudar o Libolo.

Em 2013, durante um estágio, o Libolo trocou de treinador. Depois em 2015, logo que terminou a 1ª volta, também trocou de treinador. Nesse momento, o Prof. João Paulo e a sua equipa técnica estão garantidos?

Sim, garantidíssimos. O Libolo é sempre um clube que dá estabilidade aos treinadores. Muitas vezes as saídas são por opção dos mesmos, ou porque não se sentem felizes ou porque não estão bem no projecto. Apesar de muitas pessoas pensarem o contrário, o Libolo dá garantias de estabilidade e quer estabilidade para o clube e só a continuidade dos treinadores é que nos dá essa estabilidade. Quando alguém nos diz que não é feliz e não está bem no clube, como aconteceu em 2013, o Libolo não tem solução e tem que obviar a isso. Mas aquilo o que o Libolo pretende sempre, se possível, é ter treinadores estáveis, treinadores que estão bem, que se sentem felizes por estar aqui.

E acima de tudo que cumpram pelo menos um ciclo olímpico?

Sim, é fundamental para a estabilidade de uma equipa que as ideias permaneçam e sejam executadas durante uma época larga.

Quer acrescentar mais alguma informação que não tenhamos abordado nesta entrevista?

A ideia geral é que todos nós sentimos que podíamos ter feito um pouco melhor, desde a direcção até aos jogadores, provavelmente. Repito, o Girabola está mais equilibrado e cada vez vai ser mais difícil ganhar campeonatos, mas há sempre a pretensão de podermos estar mais acima e de podermos de ganhar todos os jogos. É aquilo que nós desejamos todos e o que mais nos motiva no trabalho diário. Quero afirmar aqui, publicamente perante todos, que na 2ª volta iremos estar mais fortes, mais conscientes dessas dificuldades e com mais motivação para ultrapassar tudo isso. Vamos ao encontro do nosso sonho que é o tri-campeonato.

Significa isso que o Libolo está vivo então?

Está vivo apesar de muitas vezes, conforme fez notar o prof. João Paulo na entrevista rápida deste último jogo, nós sentimos, tal como em 2013, que há muitos momentos em que alguém nos puxa para trás. Se isso acontecer pontualmente num jogo, tudo bem, é aceitável, uma arbitragem menos boa, tudo bem (há jogadores também em frente à baliza às vezes falham). Agora, sentirmos como em 2013 que nos puxam constantemente para baixo, é duro, muito duro.

Algumas fotos do Recreativo do Libolo na primeira metade da época futebolística de 2016