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A aluna Fong Lai I fazendo a defesa da sua teseA expansão e internacionalização do Projeto Libolo não conhece fronteiras e acontece um pouco por todo o mundo. Depois da defesa da tese de doutoramento Sentenças marcadas para o foco no português do Libolo: uma proposta de análise derivacional, da autoria do Dr. Eduardo Ferreira dos Santos e orientada pela Profa. Dra. Márcia dos Santos Duarte de Oliveira, ocorrida na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, Brasil, em 22/06/2015, chegou a vez da apresentação de mais uma tese académica elaborada no âmbito das pesquisas do Projeto Libolo. Assim, no passado dia 27/04/2016, a aluna Fong Lai I, do Departamento de Português, Faculdade de Letras, Universidade de Macau, fez a defesa da sua tese na qualidade de membro do Honours College (Colégio de Honra) desta instituição, intitulada Português Europeu e Português angolano: uma análise morfossintáctica contrastiva do clítico “lhe(s)” em “Kalú, as garinas e o esquema”, de Boaventura Cardoso.

 O Honours College é uma célula da Universidade de Macau que acolhe os alunos de excepção desta instituição académica, que necessitam de apresentar e defender um projecto de pesquisa para obtenção de um certificado de excelência. Sob orientação do Prof. Dr. Carlos Filipe Guimarães Figueiredo, a aluna Fong Ka I desenvolveu pesquisas com dados de fala recolhidos no âmbito do Projeto Libolo, comparando resultados acerca do uso morfossintáctico do pronome clítico “lhe(s)” atestados no trabalho de Figueiredo & Oliveira (2103)1 em cotejo com realizações do mesmo pronome em âmbito literário, mais concretamente no conto “Kalú, as garinas e o esquema” inserido na obra O Fogo da Fala, de Boaventura Cardoso. Os achados da pesquisa apontam para um uso idêntico do pronome “lhe(s)” nos dois casos, não havendo distinções nas realizações dos contextos de fala e da escrita literária de autores que reclamam o estatuto de variedade para o Português Angolano.

Com mais este trabalho académico, o Projeto Libolo vem apresentando provas consistentes de que o Português Angolano possui características muito próprias, emergentes do contacto linguístico entre o Português e as línguas africanas do país, características essas que terão de ser vistas como marcas identitárias únicas (a “angolanidade” do Português) e que fazem com que o Português falado em Angola, com as suas especificidades, se distinga das outras variedades de português, como o Português Europeu ou o Português do Brasil. Portanto e de acordo com os autores dos trabalhos é tempo de as autoridades angolanas que gerem as políticas de língua no país começarem a encarar muito seriamente a pretensão de se atribuir o estatuto de variedade ao Português Angolano. No Brasil, essa meta já foi alcançada há décadas. Contudo, em Angola, os tradicionais defensores do conceito de “língua pura” continuam arreigados à ideia colonial de que o Português correcto é a língua lusitana de Camões, colocando entraves a uma independência de carácter linguístico, verdadeiramente identificadora da estrutura sócio-cultural do país, e que há muito deveria ter iniciado uma caminhada, lado a lado, com a independência político-económica angolana.

Para ler a tese, clique aqui.

 

PROJETO LIBOLO NO BRASIL

Dois dias depois da apresentação da aluna Fong Lai I, na Universidade de Macau, cruzando-se meio planeta, a Mestranda Raquel Azevedo da Silva, pesquisadora da Equipa de Linguística do Projeto Libolo que integrou o grupo que recolheu dados de fala no Libolo em 2013, fazia a defesa da sua qualificação para mestrado, em 29/04/2016, levando a exame, na Universidade de São Paulo, Brasil, a proposta de pesquisa “Tópico no Português do Libolo”.

A proposta impressionou o jurado, que teceu os maiores elogios à qualidade da apresentação, inedetismo do trabalho e grande importância do tema de pesquisa para a Linguística contemporânea, mormente no que respeita à questão do contacto linguístico entre o Português e o Quimbundo e suas conexões afro-brasileiras. Deste modo, a Mestranda Raquel Silva, sob orientação da Profa. Dra. Márcia dos Santos Oliveira, irá iniciar as suas pesquisas subordinadas ao tema em questão, prevendo-se que, em devido tempo, mais uma valiosíssima tese académica sairá à luz no âmbito das pesquisas do Projeto Libolo.
Da nossa parte, endereçamos, uma vez mais, as nossas vivas felicitações às autoras dos dois trabalhos, bem como aos seus orientadores, pela qualidade das pesquisas em questão, que contribuem para que o Projeto Libolo continue a pautar de forma significativa a actual agenda internacional das investigações no campo linguístico.


1 Carlos Filipe Guimarães Figueiredo & Márcia santos Duarte de Oliveira. 2013. Português do Libolo, Angola, e português afro-indígena de Jurussaca, Brasil: cotejando os sistemas de pronominalização. PAPIA, 23(2). 105-185.

 

 

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